sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Perdão

Segundo os teólogos, para que a humanidade, avance tem que haver leis, mas leis morais, que passam por dois princípios fundamentais: ter amor pelo inimigo e não julgar. Segundo uma passagem do Novo Testamento da Bíblia Sagrada, no livro de Mateus, pode-se ler que devemos amar os nossos inimigos e não apenas os nossos amigos, pois Deus ama todas as criaturas de igual modo e assim também devemos ser: devemos amar os nossos inimigos para que também com isso consigamos obter uma recompensa, isto é, a recompensa de termos paz e o amor de toda a gente. Quanto ao julgamento ao próximo, isto é, julgarmos e criticarmos outrem, não deve ser executado porque estamos a criticar atitudes de uma pessoa mas nós não somos aquela pessoa e portanto não conseguimos sentir e pensar o que ela sente e pensa ao tomar certas decisões. Assim sendo, quando criticamos os outros estamos a criticar de fora, não tendo uma visão completa do problema e poderemos estar a criticar actos que podem-nos pertencer num futuro. Como diz Mateus “Não julgueis para que não sereis julgados”, pois se julgarmos os outros ir-nos-ão julgar com a mesma medida ou ainda pior. As acções são de quem as pratica mas assim como Deus perdoa aos seus filhos os pecados que cometeram, também nós, seres finitos, devemos perdoar o nosso próximo. Nisto insere-se a posição de Hanna Arendt que dizia que todo o caminho da humanidade leva à destruição a não ser que se descubram dois princípios: o perdão e o renascimento. Nunca é tarde para renascer, para nos instruirmos, para deixarmos de lado preconceito e mudarmos e só através do perdão curamos cicatrizes e avançamos no tempo. Sem perdão entramos num infinito ciclo de vingança e ao limite matamo-nos todos uns aos outros. Devemo-nos perdoar uns aos outros para que consigamos viver em harmonia. Perdoar é esquecer a guerra que já não tem mais sentido, uma guerra antiga que já não a queremos continuar. Apenas perdoando conseguimos recomeçar de novo, sem um peso às costas, pois a partir do momento em que perdoamos e somos perdoados essas acções já não nos pertencem, isto é, sentimo-nos livres, libertos de todos os pecados e contaminações. Aliás, a tese estóica e de Confúcio e também presente na Bíblia que nos diz “amarás aos outros como a ti mesmo”, diz-nos precisamente isso, que se amarmos o próximo como nos amamos a nós, vamos ser capazes de o entender e sobretudo, perdoar. Só através do entendimento e do perdão vamos conseguir confraternizar na terra uns com os outros em tranquilidade e rodeados de amor. O perdão transcende a justiça, não se espera que através do veredicto de um tribunal um assassino seja perdoado, ele apenas é punido. O perdão envolve a capacidade ética e moral da pessoa, envolve o plano da religião. O perdão é a base do progresso da humanidade e a condição de uma vida feliz, sem sobressaltos.

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