segunda-feira, 18 de junho de 2012

Sociedade jovem (des)intelectualizada

Andamos a formar uma geração de pseudo-literatos, pessoas que pensam que têm que omitir o seu parecer acerca de tudo quanto as rodeia sem o mínimo de investigação científico-filosófica. Jovens astutos mas que apenas se entusiasmam com imagens, textos com o máximo de dez linhas (se tanto) e em que o preto e branco é algo aborrecido e antigo que não merece respeito nem atenção. Criamos uma sociedade despreocupada com a literatura, com o respeito à ortografia, onde só conta a imagem e a fama, onde o anonimato é visto como uma falta de sucesso e onde ninguém dá conta de que as letras movem crenças. A falta de interesse na disciplina de filosofia é a causa primordial desta falta de postura. Actualmente, no ensino secundário, filosofia é vista como aquela disciplina que não serve para nada, que apenas se lê livros (ou nem isso) e onde o seu destino é o desemprego. Os filósofos são postos à margem e vistos como os, desculpem a linguagem, como os 'totós' da sociedade. Será mesmo verdade? A filosofia constitui uma importante arma de guerra e quem não percebe é sinal que não está preparado para esta guerra: a guerra da sobrevivência humana. Toda a espécie animal tenta sobreviver através dos meios que consegue e, felizmente, a nós coube-nos a parte racional. Conseguimos pensar, raciocinar, elaborar teses e construir e progredir... tudo isto torna-nos especiais, é certo, mas até que ponto isso é útil se não soubermos aproveitar da melhor maneira as nossas capacidades? É aqui que a filosofia entra. A filosofia, como mãe dos saberes, tem a capacidade de nos mostrar os caminhos da nossa vida, de nos fazer olhar para o mundo sobre diferentes perspectivas, de nos retirar da nossa "prisão intelectual" e de nos fazer ouvir e entender novas ideias e novos conhecimentos; a filosofia faz-nos ser capazes de entendermos quando é que um raciocínio é válido e é verdadeiro, quando é falacioso e só serve para nos enganar; a filosofia faz-nos argumentar correctamente e persuadir o auditório; a filosofia não tem apenas um uso lógico ou retórico mas também estético, moral e ético... ela faz-nos entender qual o caminho bom e o mau, qual deles escolher quando estamos perdidos... Em suma, a filosofia faz-nos questionar acerca do que nos rodeia e são essas questões que nos fazem CONHECER o que nos cerca, fazem-nos descobrir acerca do que vivemos, de onde vivemos e de quem somos. É ela que nos oferece a capacidade de questionar, de aprender e de conhecer mais e melhor sobre nós próprios e acerca de TUDO quanto existe. A filosofia é mais que um saber especializado, ela é o único saber que é o próprio amigo da sabedoria, a filosofia é, assim, essencial para qualquer área de estudos e mais ainda: para qualquer ser humano! Conhecer e questionar são palavras-chave que deveriam estar em voga na história pessoal de cada ser humano. Desengane-se aquele que pensa que ler um texto com mais de 500 páginas que é massador e que não vai aprender nada com ele. Se você está a ler esta parte do texto e não saltou nenhuma linha, parabéns, você faz parte do pequeno núcleo de aristocratas que lutam por uma sociedade melhor, mais intelectualizada e mais conhecedora. Entender a importância de um filósofo é urgente. Só quando a sua importância for reconhecida e os especialistas em ossos, em sangue, em rochas ou em animais o reconhecerem, é que o mundo se tornará num local seguro.

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