Estávamos na Grécia Antiga, Sócrates caminhava descalço pelas ruas de Atenas, até que lhe chega a informação de que tinha sido considerado como o homem mais inteligente daquele mesmo lugar. Sócrates foi um filósofo que não deixou nada escrito, foi seu discípulo - Platão - que nos deixou alguns registos importantes das suas 'dissertações'. Ele gostava de andar pelas ruas, a questionar as pessoas porque, ao contrário dos seus antecessores, ele achava que a verdade estava dentro de cada um de nós e não apenas nos mais aristocratas. Por isso, qualquer habitante poderia ou teria a capacidade de responder às suas perguntas e para isso perguntava o que era a felicidade, a quem se julgava ser feliz, ou perguntava o que é a coragem aos guerreiros acabados de vencer uma guerra e que se sentiam os mais valentes de todo o mundo. Quando confrontados com estas perguntas, normalmente, as pessoas fraquejavam e sentiam-se confusas pois a cada resposta que davam, Sócrates formulava uma nova pergunta. Sócrates limitava-se a interpelar e por isso é que ficou tão admirado quando foi considerado o mais inteligente de Atenas, porque ele apenas achava que era um homem como outro qualquer e que ainda lhe faltava saber muito. Sentia-se como uma parteira, cuja sua função era ajudar retirar a verdade de dentro das pessoas.
Neste âmbito, muitos filósofos de hoje em dia defendem uma "filosofia prática", uma filosofia que vá de encontro aos problemas actuais desta sociedade e de estes cidadãos, uma filosofia mais 'pop' e que saia à rua. Criando uma espécie de 'consultadoria filosófica' onde o filósofo dê consultas de acompanhamento para tentar retirar a verdade de dentro da cada paciente seu e tentar que o paciente consiga por si próprio resolver os problemas. Não se trata de dar conselhos mas sim de problematizar e tentar encaminhar o 'paciente' para a verdade que já está dentro de si e que só precisa do filósofo para 'sair à rua'.
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